Nutrição perfeita – equilibrando a nossa energia primordial
18-08-2017
Quem chega a ler este blog geralmente é médium ou pelo menos é um curador e tem um corpo “especial” no qual são permitidos muitos vazios de Yang. Já escrevi sobre isso aqui.
Mas a noção antiga de que um médium tem de ser neurótico, desequilibrado e doente está ultrapassada. :)
Bom, graças à Red Dragon, médica de Medicina Tradicional Chinesa, que este ano me ajudou a escolher, cozinhar adequadamente e a saber quando e como comer alimentos mais adequados ao meu corpo de vidente, já não tenho um vazio de yang há 7 meses, record absoluto (rsrs)… E olhem que tenho trabalhado imenso na área sem perder as minhas capacidades. Incluso até acho que as tenho aumentado, sem falsas modéstias, e é porque estou mais equilibrada fisicamente e psiquicamente…
Tenho visto também um crescente aumento de vegetarianos que depois caiem em dietas exageradas de smoothies e veganismo crudívoro que lhes vai sugar a energia todinha, sério…eu vejo-lhe as auras, lembram-se? E não é só isso, ficam desequilibrados psiquicamente devido à mudança drástica de alimentação. O corpo revolta-se sempre quando existe uma mudança brusca de energia porque interpreta como uma ameaça. As mudanças todas devem ser lentas e firmes ou seja, paulatinas (tal como o meu nome). :)
Outros vegetarianos recentes vão ao supermercado dietético mais próximo e compram todos os pacotes de tofu que encontram sem pensarem que tofu é farinha e toca a engordar e pior que isso a comerem comida processada que tem baixa energia. Estes são os piores e ficam gordos e baços enquanto os anteriores ficam magros e lânguidos…
A MTC diz…
“Deixe o alimento ser o seu remédio, e o remédio ser a sua comida”.
Hipócrates, pai da medicina
A prevenção das doenças em MTC depende da manutenção do equilíbrio entre o Yin e o Yang, que se obtém através de uma imensidade de acções, mas que também se perde por uma vasta quantidade de razões.
A alimentação não poderia deixar de ser uma das formas mais importante tanto de gerir e, portanto manter o bom equilíbrio energético do nosso organismo, como também de o desequilibrar... Se a nossa nutrição é a adequada, a energia será abundante, os órgãos estarão bem nutridos e o nosso sistema nervoso e as nossas emoções estarão estáveis.
A alimentação é pois, essencial para atingir o equilíbrio, a harmonia e consequentemente a saúde integral.
A dieta saudável segundo a medicina tradicional chinesa será aquela que é adaptada ao paciente, ou seja à sua idade, constituição física, ao clima, ao seu trabalho, hábitos e ao seu diagnóstico energético (estado de saúde actual).
Hoje em dia há cada vez uma maior noção da importância de se comer produtos o mais puros possível, e isso vai ao encontro às antigas recomendações da Dietética Chinesa, que considera de extrema importância a frescura dos alimentos, que idealmente deveriam ser produtos acabados de apanhar, biológicos e da região; e ainda, se estão a ser cultivados e colhidos nas alturas em que é natural eles estarem disponíveis.
Como todas estas condições são difíceis de pedir a um paciente, dá-se prioridade à frescura dos produtos e ao facto de serem da época.
A razão é simples: quanto mais tempo ou processos os alimentos passam desde a sua recolha até ao seu consumo, mais o seu Qi se perde. Os alimentos importados a grandes distâncias, congelados, industrialmente processados e com conservantes estão condenados a essa perda energética. Já para não falar no uso de micro-ondas para aquecer ou cozinhar que destrói o Qi dos alimentos e da água.
Existe uma grande variedade de técnicas de cozinhar os alimentos e todas elas influenciam a natureza do próprio alimento. Conforme o processo usado podemos suplementar a energia fria ou a energia quente dos alimentos.
Também a quantidade de alimentos numa refeição é muitas vezes motivo de polémicas, mas a Medicina Chinesa é bastante taxativa e recomenda as seguintes doses diárias, que devem ser divididas ao longo do dia conforme as necessidades alimentares de cada refeição:
v50% a 80% da nossa alimentação diária deve ser composta de cereais (Amarelo)
v30% a 40% devem ser vegetais cozinhados (Verde)
v5% de proteínas (Laranja)
v5% de alimentos crus (Azul)
Isto significa que se pusermos toda a nossa comida de um dia num só prato, ele deveria ter este aspecto:
Quem opta pela alimentação vegetariana cai grande parte das vezes em extremos, deixando abruptamente de comer carne e/ou peixe, e opta muitas vezes por comida “saudável” como muitas saladas e fruta, batidos e alimentos processados à base de soja…
O nosso organismo é uma máquina que tem tudo planeado ao mínimo detalhe, e apesar da sua capacidade de adaptação espetacular ele é muito sensível a mudanças.
Os alimentos crus são vistos pela Medicina Chinesa como algo a ser consumido com muita moderação (ver gráfico acima), mesmo as frutas e saladas. Abre-se uma excepção para quadros patológicos em que seja necessário apaziguar o Yang, seja ele interno (por exemplo Fogo do Fígado) ou externo (por exemplo um Verão rigoroso ou um clima muito quente, como o deserto). Mas, para a maioria das regiões do hemisfério Norte, estes alimentos crus têm demasiada energia Frio (veja nota final sobre as energias perversas)e o seu consumo excessivo causa, a longo prazo, um vazio do Aquecedor Médio (Baço), bem como alimentam um excesso de Yin, criando humidades e mucosidades e tudo isto leva a complicados cenários de desequilíbrio energético, ou seja, de doença.
Excesso de alimentos frios ou frescos, como açúcar, demasiada fruta, salada crua ou outros alimentos consumidos crus inibe a digestão. Pode causar sintomas de inchaço abdominal e dos membros, gases, soluços, perda de apetite, fadiga, frio em especial nas mãos e pés e pode levar à diarreia crónica. Em casos ainda mais extremos leva ao enfraquecimento do Yang de tal forma que causa sintomas emocionais como depressão e falta de vontade para viver.
Os alimentos líquidos, durante ou fora das refeições também não devem ser consumidos em excesso, pois vão apaziguar o Fogo do estômago, que é necessário para processar a energia extraída dos alimentos.
Em relação ainda a alimentação vegetariana, a medicina chinesa não aconselha regimes demasiado rigorosos e sobretudo repentinos já que são os animais os maiores fornecedores de Yang. Quem opta por este regime deve respeitar o organismo e muito lentamente retirar os alimentos de origem animal a que está habituado e usar outros mais adequados ao seu estado de saúde e fornecedores de Yang.
A soja amarela vulgar não é de todo um bom substituto da carne porque além de 90% dela ser geneticamente modificada, é considerada de natureza ligeiramente fresca. O tofu industrial mais comum, em particular de natureza fresca, tem poder de tonificar o Yin, aumentar a produção de líquidos orgânicos e refrescar o calor, mas não deve ser usado indiscriminadamente por todos e de forma copiosa já que no caso da dieta vegetariana existe pouca ingestão de alimentos Yang e portanto pode debilitar seriamente a energia do Baço.
Para além disso os Orientais não consomem granulado de soja, leite de soja açucarado, queijo de soja, natas e manteiga de soja como os Ocidentais consomem. Estes métodos são processados e Não-Fermentados, o que os torna altamente prejudiciais para a flora estomacal e intestinal humana. Evite ao máximo comer soja texturizada (a “carne de soja”), e todos os alimentos processados a imitar os de carne e lacticínios (salsicha vegetal, hambúrguer vegetal, nuggets, iogurtes, etc)… Tudo isto é produto da industrialização moderna e de manobras de marketing para os consumidores não informados. Além disso usa-se demasiada soja geneticamente modificada nos mais variados produtos. Os Chineses, Japoneses e outros países orientais referem consumir vários tipos de soja em rebentos ou na forma fermentada:miso (sopa que se bebe nos restaurantes japoneses);tempeh;natto;molho de soja (fermentado por métodos tradicionais como no molho de soja Shoyu); etc.
A par da escolha mais correta dos alimentos e da confeção mais adequada dos mesmos, a lógica da dietética chinesa é o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis para toda a vida.
Assim sendo, teremos de considerar que devemos:
vComer num ambiente sossegado;
vCriar uma atmosfera de calma, sem distracções externas, de modo a que haja boas condições para a transformação de Qi a partir da alimentação;
vComer com agrado. Ter prazer nos alimentos e no ambiente em que os comemos também ajuda a extrair o Qi dos alimentos; bem como os pensamentos e sentimentos positivos, que vão permitir a fluidez energética do Qi do Estômago e do Baço-Pâncreas, auxiliando deste modo a transformação da comida e bebida em Qi no organismo.
vMastigar bem (entre 10 a 15 vezes) antes de engolir, já que evita o aumento de peso, além de que a comida bem mastigada satisfaz melhor o apetite porque facilita o Qi do Baço.
vParar de comer quando se está satisfeito. Assim determina-se realmente a quantidade ideal de cada refeição para cada organismo. Quando nos alimentamos em excesso numa refeição, o Qi geral e o Sangue são puxados para o centro do corpo, sacrificando o Triplo Aquecedor, daí que haja sinais de inchaço abdominal e fadiga. Enfraquece os órgãos digestivos e causa Humidade nefasta quando se continua a comer apenas para não deixar comida no prato.
Curiosidade:
Na China existem alguns restaurantes onde permanece um médico de MTC, que faz uma consulta ao cliente que assim desejar, para determinar quais os alimentos e formas de cozinhar mais adequados ao seu estado de saúde actual…
Um velho provérbio chinês diz:
“Aquele que toma remédio e negligencia a dieta desperdiça o talento do médico.”
Nota final:
As energias perversas são: frio, calor, vento, secura, humidade.
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